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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A Beleza e a Tristeza da Mudança

Estabilidade.
Ela pode resgatar palavras como segurança, conforto, agradável e etc. E sempre que a encaramos, não negamos que o seu oposto, a mudança, é sentido como um prejuízo, afinal, é um receio humano e natural das coisas que não temos "controle", que não temos conhecimento.
Mas devemos considerar alguns pontos; neste momento histórico que estamos completamente ligados à fragmentos, podemos considerar que por exemplo as identidades não se mantém por muito tempo e podemos sem más consequências transitar por diversas faces e encarar a beleza disto.

Não mais ficamos presos à velhos conceitos e podemos transcende-los, podemos superá-los, mudarmos a direção para qualquer que seja o sentido do vento.
Não necessariamente uma falha de caráter ou virtude, mas saber coletar de diversas fontes e conversar com diversas propostas, sem necessariamente se perder completamente, é algo de belo que temos em nossos tempos.
Por outro lado, o que acaba acontecendo de mais comum nos casos em geral, é que essa "descentralização" do caráter individual se perde e o caos no pior sentido, toma conta.

E com isso as relações sociais se fragmentam também.
Em sentido amplo, vemos virtudes e significados se distanciarem da política.
Liberdade, Igualdade e Fraternidade soam tão abstratas e fragmentadas que não vemos mais propósito para tais bandeiras e esforços para estes objetivos. Nestes termos o individualismo torna-se forte pela fraqueza das sociabilidade.
Em sentido mais próximo, vemos relações amorosas/conjugais e amizades, se "despedaçarem" ao se apoiarem em lugares cada vez mais leves e superficiais.
Lealdade, Cumplicidade e até Amor eram palavras que costumavam englobar essas relações, mas fragmentadas perdem boa parte do sentido.
Assim portanto, as relações sociais políticas e próximas, tomam uma nova aparência que ainda não sabemos dizer o quanto é bom ou não, falta acostumar talvez.

No final das contas acho que não dá para ter certeza se os pontos positivos pesam mais ou menos que os negativos, vale sentar e argumentar. Mas há sempre uma certeza; da mesma forma que temos a estabilidade na virada do relógio, temos certeza que este segundo não será mais como aquele segundo, e assim vai, ambos se entrelaçando...

terça-feira, 9 de março de 2010

Pensar-Livre

"Onde estão as utopias? Onde estão os ideais?"
Sim, nós vivemos em uma época histórica-social específica.

Muitos vão afirmar que esta pós-modernidade de indivíduos fragmentados, de teorias totalizadoras desconstruídas é determinante a ponto de não podermos mais esperar mudanças, não acreditarmos na humanidade, haver um individualismo exacerbado e alguma preocupação superficial com o coletivo.
Acontece que concordar com a pós-modernidade não é aceitar e apoiar a situação, mas entender a "crise" da sociedade.
Existem pessoas que vão dizer que os ideais atuais são outros, e portanto não há uma crise, as referências são completamente outras. Mas o questionamento que sempre impulsionou a raça humana à frente está diferente e é este o fundamento que gostaria de trabalhar.
O primeiro conceito que deveria ser ensinado à uma pessoa deveria ser o "por quê".
As crianças geralmente fazem isso, mas não tem noção da importância disto, e quando ainda esbarram em "assuntos-que-não-devem-ser-tocados" são desencorajadas à questionar e as vezes repreendidas. Figuras de autoridade de instituições como Família, Estado e Escola (talvez a melhor cotada para aberturas) sempre participam deste processo que vou chamar de "assassinato de espírito". Onde o questionamento pode ser sufocado e/ou desencorajado.
Uma das principais bases da Filosofia e pensamento ocidental veio de Sócrates.
E sua idéia principal, o questionamento, a dialética, o seu método, permanecem como referências.

Imaginse-e caminhando na Grécia Clássica e sendo abordado por um sujeito não reconhecido pela sua beleza e ele inicia uma conversa com você. A primeira vista ele cruzou sua linha de intimidade porque ele começa a tocar em algum assunto que é de certa forma pessoal.

Talvez você fique desconcertado, afinal um estranho te abordando com a pergunta "O que é Justiça?" te incomode.

Você também nunca teve tempo para pensar sobre isso, não vai ser agora que isso vai mudar. Levando em conta tudo isso, você dispensa-o. Mas pega-se lembrando deste fatídico dia.

As pessoas deveriam questionar mais. Em cada detalhe, não podemos esquecer de sempre considerar o "porquê" das coisas, seja para afirmá-las, ou seja para negá-las.
Desta forma procuramos levar uma vida mais autêntica, seja intelectualmente com Sócrates, ou através de nossas escolhas e atos com Sartre.
Sartre trabalha com a idéia de que em cada escolha nos engajamos e afirmamos esta escolha para todas as pessoas. Por isso um intenso questionamento e senso de responsabilidade são exigidos, afinal carregamos o "peso do mundo em nossas costas".
Mas se você é como alguns, deve estar pensando que tudo isso soa muito "limpinho" e impraticável.
Quer dizer que absolutamente ninguém consegue aproximar-se disto? Se sim, isso inclui você. E de onde vem essa idéia de que você não é capaz de algo?
O problema são as referências. Se as pessoas mesmo que não alcançando esses níveis de questionamento, tem esses ideais como referências, é ótimo.
A partir daí, elas vão admitir erros, vão saber para onde estão direcionadas, estarão sempre em busca daquilo "limpo" mas que como norteador de ações é perfeito, aliás, é sua razão de ser (em nossas condições atuais).
Mas isso não acontece. Há algum tipo de estagnação.
As pessoas são capazes disso, mas não o fazem.
E para essa triste questão cito um questionamento do filme Waking Life:

" ... O hiato, entre vamos dizer, Platão ou Nietzsche e o humano mediano, é maior do que o que há entre o chimpanzé e o humano mediano.

O nível verdadeiro espírito, do verdadeiro artista, do santo, do filósofo, é raramente atingido.

Por tão poucos?
Por que a História e a evolução não são histórias de progressos, mas uma interminável e fútil adição de zeros?
Nenhum valor maior se desenvolveu.

Ora, os gregos, há 3.000 anos, eram tão avançados quanto somos hoje.
Que barreiras são essas que os impedem as pessoas de alcançarem, minimamente seu verdadeiro potencial?
E a resposta para esta pergunta se encontra em outra pergunta, que é esta...

Qual a característica humana mais universal?
O medo ou a preguiça? "

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Senso de Empatia

Através desse mundo caótico e pós-moderno,o afastamento entre as pessoas aumentou de forma que fatores como o individualismo exagerado ou para outros, o exagero da razão tenham trazido o ser para longe de sua humanidade sentimentalmente falando.
O futuro distópico do indivíduo completamente apático e mecânico pode parecer assombroso, mas faz sentido. Se as coisas continuarem; poderão levar para esse caminho. Mas se buscarmos nos reformar e rever conceitos, podemos desviá-lo.
Logicamente não digo revolucionarmos todas as relações entre as pessoas de uma hora pra outra; porque nem sempre espera-se muito isso; talvez justamente pela mecanidade atual há uma recusa da participação no conjunto.
Mas não necessariamente será aquela recusa de não querer qualquer tipo de relação; mas talvez a atual esteja tão podre que cause até repulsa, quem sabe.
Pode soar meio abstrato querer procurar uma nova forma de relação no geral, mas a partir dessa condição, da consciência de que precisa de mudança, através dessa premissa, pode ser o começo para uma nova discussão.
Será que essa idéia uniria os conceitos de um novo sujeito com nova moralidade, de Nietzsche, o Übermensch, com a própria idéia da construção de uma sociedade completamente nova, como dizia Marx?

Imagine-se andando na rua e por um instante olhares se cruzam. Longe de querer envolver o conceito romântico de amor, mas o sentimento de empatia, de se reconhecer no outro. Se nós temos uma mesma essência metafísica e sofremos dores existenciais como diria Schopenhauer, ou se nos reconhecessemos como classe social igual, são maneiras de se ver a empatia, o que é bastante importante, tanto na filosofia, na arte e no ativismo em si; para quem sabe não chegarmos no então Admirável Mundo Novo.

Acredito que a empatia devia ser um sentimento recorrente nas relações humanas (não confundir com simpatia).
Talvez digam que os mais sentimentais ou talentosos possam desfrutar melhor destas coisas, mas o que seriam de nossos progressos se não enxergamos referências altas? Se não procuramos nos levar por picos cada vez mais altos.
Através da empatia podemos procurar um mundo melhor e ao mesmo tempo, termos nossas características preservadas, nosso espaço individual resguardado.
Não que exista uma fórmula, mas a partir daí, da capacidadade de reconhecer esses assuntos podemos desviar do caminho robótico/mecânico, para esse algo mais "humano".

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Subjetividade na Racionalidade

Inicialmente, quero separar essa dualidade das comumentes associadas "mente X coração" e "paixão X razão"; porque essas; apesar de se ligaram com a dualidade maior, tomam uma pequena parte da questão e por isso a igualdade não vale; mas em termos gerais podemos considerá-las.

Vou tentar dar nome aos participantes.
A racionalidade deve ser o termo mais simples de divagar. E a racionalidade seria o método - no sentido de ferramente de análise - em que há ênfase na razão.
O pensamento racional, sem dúvida, faz parte do ser humano. Pela teoria da evolução vemos a formação do homo sapiens, em termos gerais, principalmente por causa do crânio e seu respectivo cérebro. Isso pode soar abstrato, mas a intenção é apontar o ínicio da questão.
E a subjetividade? Talvez ela tenha surgido com as coisas que o ser humano não explicava, como os fenômenos naturais, dando origem à mitologia; e também talvez até com os sentimentos, iniciando idéias metafísicas como o amor por exemplo.
Não quero dizer que toda subjetividade seja uma resposta à racionalidade, tentando substituir o papel da ciência e etc., mas que com a subjetividade, houve a criatividade e também, como se não houvesse somente a racionalidade, algo além.
Já deu para perceber o que sinto de complicado só de tentar explicar o assunto né?

Enfim, onde quero chegar é atualmente, obviamente, depois do Iluminismo, da Idade Moderna; onde o espaço da racionalidade só cresceu.
E onde fica a subjetividade nos tempos atuais? (considerado pós-modernidade para alguns).
Com a tecnologia e ciência, a mitologia/religião perdeu bastante de sua força. A idéia do amor e dos sentimentos também ficou relativamente fraca; com a biologia e psicologia tomando seu lugar.
Longe de fazer apologia à religião, porque esse assunto é complexo, mas somente a questão da subjetividade.

Talvez a subjetividade tenha sobrevivido através da arte.
A arte incorpora inúmeros aspectos da subjetividade, e é quase impossível desassociá-los; apesar de haver discórdia entre alguns, e até artistas com movimentos de expressão específicos fazendo isso.
Talvez a questão se pareça com algo já apresentado por Nietzsche (crítica da racionalidade).
Mas e como fica a subjetividade? Incorporada na arte? E será que a arte também pode ser ameaçada pela racionalidade e nós partirmos para um Admirável Mundo Novo?

A racionalidade de fato trouxe inúmeras vantagens, mas talvez uma desvantagem evidente seja a carência da subjetividade. Esse é o maior ponto na minha opinião. Mas talvez nos termos do ínicio do texto, racionalidade e subjetividade sejam uma dualidade; diferentes mas essenciais no conjunto.
Pelo que mostrei, a racionalidade tem muito mais espaço do que o subjetivo, por isso a apreensão de sumir.
Eu gosto de pensar como Schopenhauer quando analisa a estética, e diz que esta, a arte, não tem relação com os princípios racionais, chamados princípios de razão por ele. Embora ele chame a estética, ligando-se a essência do mundo, por si só, sem nenhuma interferência, como objetividade, mas isto não vem ao caso.