terça-feira, 16 de agosto de 2011

"De mãos dadas"

Em termos de relacionamentos eu nunca tive muita experiência ou contato com o tema. Então foi algo diferente a primeira vez que estive com alguém, depois que os outros garotos já haviam passado por isso, eu ainda estar dando os primeiros passos. Aquelas dúvidas sutis de iniciantes pareciam inocentes as vezes, mas no fundo existia uma crítica que estava para ser formada e confrontada.

A garota era do nível de amiga, em que trocávamos brincadeiras e risadas o tempo todo e no instante em que estávamos juntos um podia contar com o outro. E como tudo na vida, aconteceu que eu fui gostar dela sem saber. Ela era bonita e engraçada, e eu não achava que uma pessoa precisava ter muito mais do que isso para atrair, e justamente, estava completamente atraído.

Quando eu resolvi ser sincero e mostrar o que se passou na minha cabeça, ela achou estranho mas como não havia reciprocidade acabou ficando por isso. Então depois de algumas semanas chegou o momento de isso voltar pra minha cabeça - quando eu já havia esquecido - quando ela resolveu me ver com outros olhos. O sentimento que eu havia deixado resolveu voltar e então aos poucos me abri.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"O segundo impreciso"

Quando eu a chamei para conversar, estava silencioso. A falta de barulho ajudava na produção de novas perguntas e ideias que iam surgindo e passeando pela cabeça. Olhando pela janela dava para sentir que naquele momento a cidade dormia, todos com seus dias desgastantes e que procuravam seu momento de alívio, encontravam nesse silêncio devorador o momento apropriado para descansar e dormir para se preparar para um novo dia. Mas meu dia não ia acabar assim.

Comecei a conversa com coisas cotidianas mas no fundo eu só queria saber como ela estava, se estava tudo bem, porque do contrário, isso poderia levar a preocupações. Depois de palavras e brincadeiras, chegamos até a questionamentos sobre a vida e a morte. Ela não sabia bem o que fazer da vida, tinha dúvida sobre seu futuro próximo e distante, mas talvez tudo estivesse assim porque coisas próximas dela haviam alterado essa percepção objetiva para uma confusão distorcida das coisas. Na falta de direção ela se expressava com palavras.

quarta-feira, 9 de março de 2011

"Abra sua porta"

O rapaz era daqueles que levava sua vida como se fosse a coisa mais simples a se fazer. Como se viver era algo que não precisasse pensar, que não havia problemas e que só existia confusão quando lhe eram dadas duas coisas das quais ele não sabia decidir entre elas.
Até que então ele ouviu de um conhecido o nome de um livro que lhe soava diferente e curioso, então ele resolveu ler.
Assim foi e de alguma forma depois do livro, as palavras voltavam para sua cabeça em situações que não pareciam próximas da história, mas que no fundo tinham aquela virgula que fazia as peças se encaixarem.

E ele achou graça na vida. Viu ela de forma completamente diferente a partir daí.
Começou a ler mais, e a comprar diversos livros, mesmo que esses não fossem para ler agora, mas que logo em seguida pudesse sentar e aprofundar a leitura sobre seus temas diversos. Achava que de alguma forma as respostas das dúvidas que foram se formando estariam neles.
Achava que quanto mais livros, mais da vida entenderia. Pensava que aquele livro famoso daquele autor estrangeiro lhe faria entender os modos com que a cabeça trabalhava.
Então foi que se deparou com o amor e não conseguiu entender.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A Beleza e a Tristeza da Mudança

Estabilidade.
Ela pode resgatar palavras como segurança, conforto, agradável e etc. E sempre que a encaramos, não negamos que o seu oposto, a mudança, é sentido como um prejuízo, afinal, é um receio humano e natural das coisas que não temos "controle", que não temos conhecimento.
Mas devemos considerar alguns pontos; neste momento histórico que estamos completamente ligados à fragmentos, podemos considerar que por exemplo as identidades não se mantém por muito tempo e podemos sem más consequências transitar por diversas faces e encarar a beleza disto.

Não mais ficamos presos à velhos conceitos e podemos transcende-los, podemos superá-los, mudarmos a direção para qualquer que seja o sentido do vento.
Não necessariamente uma falha de caráter ou virtude, mas saber coletar de diversas fontes e conversar com diversas propostas, sem necessariamente se perder completamente, é algo de belo que temos em nossos tempos.
Por outro lado, o que acaba acontecendo de mais comum nos casos em geral, é que essa "descentralização" do caráter individual se perde e o caos no pior sentido, toma conta.

E com isso as relações sociais se fragmentam também.
Em sentido amplo, vemos virtudes e significados se distanciarem da política.
Liberdade, Igualdade e Fraternidade soam tão abstratas e fragmentadas que não vemos mais propósito para tais bandeiras e esforços para estes objetivos. Nestes termos o individualismo torna-se forte pela fraqueza das sociabilidade.
Em sentido mais próximo, vemos relações amorosas/conjugais e amizades, se "despedaçarem" ao se apoiarem em lugares cada vez mais leves e superficiais.
Lealdade, Cumplicidade e até Amor eram palavras que costumavam englobar essas relações, mas fragmentadas perdem boa parte do sentido.
Assim portanto, as relações sociais políticas e próximas, tomam uma nova aparência que ainda não sabemos dizer o quanto é bom ou não, falta acostumar talvez.

No final das contas acho que não dá para ter certeza se os pontos positivos pesam mais ou menos que os negativos, vale sentar e argumentar. Mas há sempre uma certeza; da mesma forma que temos a estabilidade na virada do relógio, temos certeza que este segundo não será mais como aquele segundo, e assim vai, ambos se entrelaçando...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Olhares


Alto Falante, upload feito originalmente por thiago.consiglio.

Inaugurando mais uma possível seção aqui, só que esta em conjunto com o Flickr de minha autoria.

Conheçam em, http://www.flickr.com/photos/thiago-consiglio

EDIT: Ou no quadro Meu Flickr à direita

domingo, 26 de dezembro de 2010

"Café, um conto"

Naquele dia havia terminado minhas obrigações mais cedo do que de costume.
Resolvi sair em busca de um café.
No começo não sabia exatamente se queria um italiano, um brasileiro, capuccino, espresso, coado, enfim. Mas resolvi tentar mesmo assim.
Primeiro passei numa lanchonete, depois num restaurante, e até em uma cafeteria, mas não tive sucesso.
Experimentava todos os tipos que achava, mas não encontrava aquele que satisfaria minha procura.
Os minutos passavam e uma angústia aumentava dentro de mim, as vezes me sentia numa corrida contra o tempo, lutando cada vez mais para encontrar, antes que alguma contagem regressiva imaginária terminasse.
As pessoas passavam em volta, pareciam não sentir o mínimo de empatia comigo. Aposto que estavam entretidas com os modelos prontos.
E pareciam felizes com isso! Como alguém pode ser feliz sem ter seu próprio café? Acredito que depois de um café gelado, ou um capuccino qualquer, tenham se contentado com a busca, se é que se houve uma.

Eu nunca havia me sentido isolado e tão sozinho no meio de tanta gente.
As nuvens se dissipavam e de alguma forma não parecia haver saída. O mundo continuava indiferentemente à minha situação.
Eu tinha medo de que não houvesse um café pra mim.
O dia anoitecia e eu me sentia mais cansado do que em qualquer outro momento, estava quase desistindo, mas de alguma forma, aquela esperança que me sobrou era a única coisa que me apoiava, que me fazia ficar de pé; apesar de que se eu parasse para pensar por 5 minutos que fossem, sabia que era algo superficial, otimismo puro.
Nessas horas já havia até me esquecido quais eram meus próximos planos, não lembrava exatamente se havia marcado de encontrar um amigo logo depois, ou dali uma semana.

De repente tive uma epifania e atravessei a cidade inteira para ir num lugar que havia ido uma vez, muito tempo atrás.
Era uma bebida razoável e eu havia me contentado com isso.
Mas será que eu me contentaria com algo razoável?
Será que deixaria de lado algo tão importante para mim?
E desde quando minha busca tinha como objetivo uma satisfação razoável assim?

Não sei a partir de que momento deixei algo que elegi tão importante e essencial para mim, para que um simples cansaço ou coisa assim, algo tão ínfimo, absolutamente o oposto de lutar com todas as forças e vontades para que chegasse próximo do desejado; me fizesse simplesmente me contentar com absolutamente algo diferente do que inicialmente havia sonhado.
A cidade já começava a dormir quando eu estava longe de ficar com a mente limpa.
Mas acho que foi nos meus últimos minutos quando pensei sobre o que era pior, se era o medo de conseguir e não corresponder com o esperado ou se era a preguiça que surgira através das dificuldades.

Depois disso resolvi fechar os olhos e decididamente desejava esquecer disso tudo logo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"Sorriso"

Sentei-me no ônibus.
Distraído com a paisagem urbana-cotidiana, demorei para perceber um grupo de pessoas que dividiam o transporte coletivo comigo.
Pareciam próximas, mas no sentido de "conversamos como amigos porque dividimos uma classe" e que ao chegar no ponto exato, cada um seguiria sua vida. Mas um membro do grupo me chamou mais atenção do que os outros.
Era um rapaz de óculos, mas não condizia com o estereótipo de inteligente, porque a todo momento estava sorrindo. Mas era um sorriso diferente, os dentes encobertos pelo aparelho se apresentavam a todo momento.

Por mais que imaginasse não conseguia me enxergar no seu lugar. Felicidade perto dele, parecia algo banal, até surreal.
Será que ele já teve alguma tristeza? Ou ainda, será que ele abriu os olhos e viu o mundo em que vive?
Ele parece não valorizar o que poderia ser o "estado feliz", porque era tão comum, quanto os movimentos peristálticos do seu intestino.
E ao mesmo tempo parecia contraditório com o mundo em que compartilhamos, se alguém é assim, é porque tem alguma visão distorcida de mundo.

O mundo não é arco-íris e ursinhos, longe disso. As pessoas não satisfazem suas vontades, as pessoas tem sufocadas, inúmeras vezes, seu potencial humano. As pessoas sofrem.
Então comecei a sentir pena dele, por não conseguir aproveitar a felicidade no mundo.
Para mim, creio que a vida dele deve ser um tédio completo.

A vida e sua mágica está em se conseguir enxergar alguma felicidade no meio de tanto caos, de tanto sofrimento, miséria, enfim; ao invés da felicidade ser algo subestimado, e até encontrado em qualquer vitrine; nós poderíamos trabalhar para tal, valorizar.
Quem dera a visão dele - ainda que distorcida - seja melhor do que a minha.
Quem dera Prometeu não tivesse nos entregado o fogo.
Quem dera se não raciocinássemos e não tivéssemos angústia (o que pela primeira vez trouxe para algum ser, a consciência da morte).
Quem dera se fôssemos que nem ele.
Mas não somos.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"Falante"

Mais uma viagem de ônibus.
Fiz questão de sentar-me na última fileira, onde tinha certeza que minha leitura e complacência, não seriam incomodadas.
Pareciam todos interessados com o almoço que viria e ao mesmo tempo com suas respectivas imagens perante os demais passageiros.

Minha mochila no banco ao lado, demonstrava que estava concentrado na leitura e que pretendia continuar assim até o final da viagem. Para ser mais indiscreto, só colocando um aviso "Pessoas são indesejadas". Eu não esperaria, mas não ligaria se aparecesse um marsupial querendo sentar ao meu lado.
Ele? Tudo bem.

Mas; no decorrer da viagem, em que páginas mais difíceis se confundiam com a vontade de comer, algo me chamou a atenção, uma voz incrível vindo de algumas fileiras a frente. Incrível, porque ela era incessante e não mudava de tom. Como alguém consegue falar no mesmo entediante tom o tempo inteiro?
Se eu tivesse a chance de dividir o itnerário com um serial killer, talvez fosse mais legal; porque a chance de acabar morto, era incrivelmente vantajosa em relação à chance de simplesmente continuar ouvindo aquela pessoa.

Mas enfim, a pessoa falou do começo ao fim sem parar, e eu pensava, como alguém tem tanto assunto para conversar, eu apostava e me agradava saber que era verdade, que a maioria dos assuntos do rapaz, eram assuntos dispensáveis.
Por que ele não faz um bem à humanidade e escolhe os assuntos antes de sair por aí falando sobre qualquer coisa?
Mas em certo momento, acabei me perguntando, será que a atitude dele, de sair falando por aí (ainda que sem pensar nas coisas), não era melhor do que a minha que no auge do trabalho mental, transcrevia algumas idéias para uma mísera folha de papel. Será que a misantropia chegou a tal ponto?

O muro imaginário que me cercava mostrava uma certa fragilidade quando eu pensava sobre isso.
Saber da existência dele me fazia rever conceitos.
Aquele espírito filosófico, curioso, queria ao mesmo tempo espiar por cima do muro, saber dos materiais que o compunham, e até testar sua resistência em certos casos.
De repente, uma pausa na divagação, apareceu alguém para sentar do meu lado.
Era uma garota bonita, suas roupas e seu jeito se elevavam do ordinário; mas ao mesmo tempo era mais uma.
Se eu até acreditasse em amor metafísico, naquele momento, poderia pensar, "é agora".
Ela se sentou.
E eu pensei em como me aproximar do jeito daquele rapaz que fala como se fosse morrer amanhã, mas ao mesmo tempo continuar me considerando um ser racional.
Mas aí me lembrei, o primeiro passo seria me apresentar, depois perguntar "tudo bem" mesmo sem realmente me importar com a pessoa, e começar com assuntos leves, mesmo que fossem tão entediantes quanto o passageiro falante.

Algo que parecia fácil era uma quimera.
Uma pessoa tão próxima de mim ao mesmo tempo estava tão distante, inúmeras convenções sociais nos amarravam e nos seguravam, estávamos sujeitos à inúmeras regras e burocracias que sufocavam nossas potencialidades humanas.
Minha solidão parecia razoável em relação à essas coisas.
Mas será que tinha que ser assim? Haveria outra pessoa disposta a colocar todos esses problemas em cheque também?
Ao fazer essas perguntas, verificava a solidez de meus argumentos, e comparando ao analisar com a realidade, percebi que o muro estava cada vez mais alto.

sábado, 24 de julho de 2010

"Insustentável Esperança"

A sensação era a de que aquela rotina quase sufocante fosse tomar conta mais uma vez. Parecia também que meu ser se distanciava cada vez mais dos demais, e não no sentido aristocrático da coisa, mas no sentido "espiritual-sentimental", até que ponto meus medos e temores para com os demais se tornaria realidade.
A esperança depositada nos demais não mais se sustentava completamente, e a possibilidade disso se tornar absoluto era assustadora.
A angústia se atrevia a se mover.

De repente apresenta-se algo discretamente querendo atrapalhar a rotina e o ciclo viciante. Em mais uma viagem no coletivo, um ser postava-se logo mais a frente. Fazia uma diferença sublime na grande indiferença do universo, não dava para saber se era real. Dificilmente faria uma diferença significante na minha passagem. Mas por surpresa ela continuou reaparecendo, não mais parecia uma névoa que à menor inconstância desapareceria para sempre. Sua aparência tomava uma solidez, mas que se limitava até o ponto em que não podia ser tocada, senão desmancharia, sua perfeitabilidade seria afetada ao menor toque, seria atirada às imperfeições materiais e seria como que arrancada da metafísica que a circundava.

No entanto, semanas mais tarde, projetava-se a oportunidade de visitar um lugar que se deslocava do convencional contanto que se comparasse com o convencional de fato.
Consegui me estabelecer com um par de pessoas que se aproximavam do meu jeito, a ponto de não ser obrigado à convenção social no geral.
Mas apesar disso, o lugar começou a me instigar um tremendo mal-estar. Aquelas pessoas que tentavam se afastar da convenção que eram alvo de uma esperança continha minha, tornavam-se "mais do mesmo". Estes ficavam à margem da sociedade mas não à margem da convenção, no final das contas era uma falsa tentativa de se superarem, mas diferentemtente, havia uma certa conformação, e os que mais se aproximavam da superação, ficavam presos por certas barreiras como o medo ou a preguiça.
Aquela angústia voltara.
O sentimento de solidão era consequência disto tudo.
Mas desta vez não existia garota alguma que pudesse apoiar toda esperança desorientada.
A garota do ônibus representava a idéia de superação que definitivamente corroeu-se por inteiro naquela noite.

terça-feira, 20 de julho de 2010

"Um ponto de vista"

Era mais um final de semana onde eu procurava algo diferente para fazer.
A noite havia chegado e mais do que antes, eu sentia a necessidade de fazer algo ao ar livre, de respirar o infame ar urbano, mas ao mesmo tempo, aproveitar para perder-se nos pensamentos como há tempos não acontecia; seria uma tentativa de flanar. Como a minha caminhada tinha um certo sentido, um motivo, um "objetivo", a ligação com o flaneur estava em tentar aproveitar a caminhada, sem pressa, fazer o caminho que fosse, mesmo não sendo o mais curto, mas tendo em vista o caminhar em si.


Desde que comecei, a lua já havia chamado-me a atenção; brilhava de uma forma atraente, parecia estar mais próxima do que o comum, como se um cíclopes gigante observasse toda a atividade humana.
Você podia ser rico, ser pobre, ser solitário, ser popular, altruísta, egoísta, órfão, avô, patrão, empregado, etc., podia ser quem fosse, ter a visão que tivesse, a lua brilhante e reluzente não deixava de brilhar por causa disso.

Se por algum acaso sua visão transcendesse sua individualidade, se sua visão deixasse de ser mais um ponto de vista, mas se aproximasse daquela essência irredutível; que observasse aquela espécie de centelha que move a tudo e a todos. Você se identificando no mais simples grão largado no meio da rua, na mais simples planta lutando pela sua sobrevivência ao buscar água no subsolo, naquela pessoa, que brava, amaldiçoa o mundo, e a outra, que serena, dorme confortavelmente.
Você percebe que o sofrimento é geral, e logo, senta empatia, compaixão.

Ao mesmo tempo, por ter-se afastado da individualidade, deixa de sofrer.
Percebe que o mundo é mundo, você é o mundo, a planta é o homem, o homem é você, o grão é o mundo, a lua é a planta; você está em tudo e tudo está em você.

Depois, sua atenção é chamada, você sente-se puxado para a sua condição anterior, volta a querer, sente sede, tem sua visão afetada pelo lado racional e não mais o intuitivo, quer comprar alguma coisa, sente vontade, sente-se mais um no meio do mundo, no meio de tudo, e não mais, tudo no meio de tudo.

Você olha de novo para a planta e estranha, não reconhece mais o grão no asfalto; aquela pessoa brava é uma infeliz, e talvez você sinta-se superior por não compartilhar do mesmo estado.
E aquele "êxtase" torna-se nostálgico e você volta a sofrer.